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Linha do tempo de al-Andalus de 711 a 1492, da conquista a Granada

Vinte e oito marcos documentados de al-Andalus: conquista iniciada em 711, emirado e califado de Córdova, taifas, dinastias norte-africanas e rendição de Granada em 1492.

Dados atualizados 30 de setembro de 2026 às 02:16al-Andalushistória ibéricaCórdovaGranadafontes históricas
Linha do tempo de al-Andalus: 711-1492, dinastias, cidades e fontes

Período político

711–1492 d.C.

Marcos selecionados

28 acontecimentos

Método

Cronologia e tipos de prova

Última revisão

29 de setembro de 2026

Entre a travessia de Tariq ibn Ziyad em 711 e a entrega de Granada em 2 de janeiro de 1492, al-Andalus teve governantes e fronteiras muito diferentes. A sequência inclui a conquista e a província omíada, o emirado independente fundado em 756, o califado proclamado em 929, as taifas após 1031, os poderes almorávida e almóada e o reino nacérida. Não se tratou de um só Estado com o mesmo território durante quase oito séculos. Esta linha do tempo reúne 28 acontecimentos selecionados em quatro tabelas e indica as provas disponíveis para cada período.

Uma mudança política datada não quer dizer que todos os habitantes de uma região tenham alterado nesse dia a sua língua, religião ou situação jurídica. Muitos pormenores de 711 vêm de narrativas posteriores e continuam em debate. Já as datas de 25 de novembro de 1491, para as capitulações, e de 2 de janeiro de 1492, para a entrega de Granada, aparecem no catálogo arquivístico espanhol. As secções seguintes explicam o que mudou nas cidades e instituições, e o que cada tipo de fonte permite afirmar.

A que território se chamou al-Andalus?

Al-Andalus designa territórios da Península Ibérica governados por autoridades muçulmanas e as sociedades que aí viveram. Os seus limites não coincidem num mapa de cerca de 750, noutro de 1100 e num terceiro de 1400. O nome também não implica que todos os moradores fossem muçulmanos nem que as identidades medievais correspondam às nacionalidades atuais. Córdova foi um centro omíada; Toledo, Sevilha, Saragoça, Valência e Granada adquiriram papéis distintos noutras épocas. Para interpretar um marco, convém identificar primeiro o governante, a cidade e a área em questão. A fundação El legado andalusí fornece a sucessão política geral; monumentos, documentos e objetos datados ajudam a testar afirmações sobre lugares específicos, inclusive o ocidente da península.

Como começou a conquista em 711?

Tariq ibn Ziyad conduziu do Norte de África para a península uma força maioritariamente berbere em 711 e derrotou o rei visigodo Rodrigo. A colocação dessa derrota em julho de 711 é convencional; o local exato do combate continua discutido. Musa ibn Nusayr chegou com outras tropas em 712. A expansão combinou batalhas, tomada de centros políticos e acordos locais. O pacto associado a Tudmir, datado de 713, mostra uma forma negociada de submissão com obrigações e garantias, embora o texto preservado tenha passado por transmissão posterior. O estudo de Cambridge sobre o ocidente ibérico ajuda a reconstruir a campanha sem transformar cada pormenor narrativo em testemunho contemporâneo. A história de que Tariq queimou os seus navios é uma tradição tardia, não um facto confirmado por observadores de 711.

Por que razão a província do século VIII era instável?

A conquista inseriu al-Andalus no mundo político omíada, mas nomeações de governadores, rivalidades militares e resistências regionais alteraram a distribuição do poder. Datar a entrada de Córdova e Toledo na nova ordem de 711–712 não demonstra que todas as aldeias receberam a mesma administração no mesmo dia. No Norte surgiu um poder fora do controlo andaluz duradouro; a cronologia inicial ligada a Covadonga permanece debatida. As revoltas berberes do Norte de África e os conflitos entre facções na década de 740 repercutiram-se também na península. Por isso, a chegada de um novo governante omíada em 756 assinala uma mudança institucional. Narrativas árabes e latinas redigidas mais tarde devem ser confrontadas com moedas, edifícios e padrões de povoamento.

Quando Córdova se tornou o centro omíada?

Abd al-Rahman I estabeleceu em 756 um emirado omíada independente na prática, centrado em Córdova. Essa autonomia política não se confunde com o título de califa adotado em 929. Os emires desenvolveram instituições, redes de patrocínio e construções monumentais. A fase inicial da grande mesquita de Córdova pertence ao final do século VIII e foi seguida por ampliações de outros governantes; o edifício conservado não é o projeto imutável de um só reinado. A ficha da UNESCO sobre o centro histórico permite reconhecer camadas arquitetónicas, mas não descreve por si só a vida de todos os habitantes. A primazia de Córdova também não eliminou as outras cidades, a produção rural ou os vínculos através do estreito. Comércio, cultura urbana e hierarquias sociais coexistiram.

O que mudou com a proclamação do califado em 929?

Abd al-Rahman III começou a governar como emir em 912 e adotou o título de califa em 929. A proclamação exprimia uma reivindicação omíada de legitimidade política e religiosa num mundo com outros centros califais. A partir de meados do século X, o seu governo desenvolveu a cidade palaciana de Medina Azahara perto de Córdova. A UNESCO situa o sítio nesse contexto e regista a sua destruição durante a guerra civil de 1009–1010. A arqueologia mostra o plano, os espaços da corte e os objetos, mas não confirma automaticamente cada afirmação das crónicas palacianas. Sob al-Hakam II, que reinou de 961 a 976, destacaram-se livros, diplomacia e obras arquitetónicas. Essa produção cultural não anulou as desigualdades no acesso ao poder e aos recursos.

Como se desfez o califado de Córdova?

Depois de al-Hakam II, Hisham II conservou a dignidade califal enquanto al-Mansur e a sua família exerciam grande parte do poder efetivo. Em 1009 começou a fitna, uma guerra civil em que pretendentes rivais e facções armadas disputaram Córdova. Medina Azahara foi devastada em 1009–1010. Em 1031, as autoridades cordovesas terminaram formalmente o cargo de califa. São etapas diferentes: não significam que escolas, ofícios e hábitos urbanos tenham desaparecido numa noite. Alguns centros provinciais já dispunham de autonomia. Os vestígios de Medina Azahara oferecem provas materiais da destruição; motivações e alianças exigem leitura crítica de crónicas com perspetivas distintas. Uma simples narrativa de «declínio» esconderia a duração da guerra e as trajetórias regionais.

O que aconteceu às taifas sob almorávidas e almóadas?

Após a desagregação do califado, soberanos das taifas governaram Sevilha, Toledo, Saragoça e outros centros. Alianças, guerras, pagamentos e cortes variaram entre eles; não houve uma capital sucessora única. Afonso VI tomou Toledo em 1085 e alterou o equilíbrio com os reinos cristãos em expansão. Os almorávidas intervieram a partir do Norte de África em 1086 e depois incorporaram muitas taifas. No século XII, outro poder magrebino, os almóadas, substituiu a sua autoridade em grande parte da Ibéria muçulmana. Ambas as dinastias ligaram a política peninsular ao Magrebe sem apagar realidades locais. A derrota almóada em Las Navas de Tolosa, em 1212, foi importante, mas não acabou com toda a soberania muçulmana: Granada subsistiu quase mais três séculos.

Como perdurou o reino nacérida de Granada?

Muhammad I estabeleceu a dinastia nacérida na década de 1230 e Granada tornou-se o seu centro. Fernando III tomou Córdova em 1236 e Sevilha em 1248; Granada ficou então como o principal Estado muçulmano da península. Os seus governantes negociaram, combateram e pagaram tributos num equilíbrio mutável, mantendo também relações com o Mediterrâneo ocidental. A Alhambra e o Generalife conservam arquitetura da corte modificada ao longo do tempo, não uma imagem da vida de todas as famílias do reino. O ensaio do Metropolitan Museum sobre o período nacérida e a ficha da UNESCO sobre Granada situam edifícios e objetos no seu quadro político. A agricultura, os impostos, os conflitos e as migrações exigem outros documentos e vestígios.

Em que diferem as capitulações da entrega de 1492?

A guerra de Granada começou em 1482. Campanhas, cercos e divisões internas nacéridas isolaram progressivamente a capital. As capitulações acordadas em 25 de novembro de 1491 fixaram condições de rendição e garantias iniciais para os residentes muçulmanos. Em 2 de janeiro de 1492, Muhammad XII entregou Granada a Fernando e Isabel; terminou a soberania política nacérida. O registo de autoridade do portal arquivístico espanhol PARES dá ambas as datas, mas é uma descrição de catálogo, não o texto integral do acordo. Também é necessário distinguir as promessas iniciais da sua aplicação posterior; coerção e conversões forçadas pertencem a uma história mais longa. O ano de 1492 marca o fim do Estado nacérida, não a saída de todos os muçulmanos da península nesse dia.

Como verificar datas e tipos de fontes?

A última coluna de cada tabela indica categorias de provas, sem afirmar que todas existem para cada linha. Crónicas tardias oferecem narrativas que podem divergir. Moedas e inscrições ajudam a identificar governantes, títulos e circulação; a arqueologia localiza edifícios e mudanças materiais. As fichas da UNESCO descrevem sítios preservados e o seu valor patrimonial, não discursos não registados ou o campo de batalha exato de 711. O catálogo das autoridades arquivísticas espanholas apoia as datas das capitulações e da entrega, mas os efeitos jurídicos posteriores requerem mais documentos. Sínteses históricas relacionam estes fragmentos e assinalam lacunas. Convém manter «cerca de», «datação convencional» e «discutido». Estes 28 marcos são uma seleção de história política e material, não um recenseamento nem uma história social completa.

Conquista e província omíada, 711–756

Os primeiros anos combinam relatos posteriores, moedas, arqueologia e reconstruções históricas.

DataAcontecimentoImportância históricaProvas e limites
Primavera de 711Tariq ibn Ziyad atravessa para a Península IbéricaUma força maioritariamente berbere passou do Norte de África pelo estreito.Textos árabes e latinos posteriores; síntese moderna; logística debatida
Julho de 711, datação convencionalRodrigo é derrotado no sul da IbériaA derrota do rei visigodo abriu caminho para centros importantes; discute-se o local exato da batalha.Narrativas posteriores e reconstrução moderna
711–712Córdova, Toledo e outros centros entram na nova ordemCampanhas e acordos locais alteraram a soberania a ritmos diferentes.Crónicas posteriores, moedas, arqueologia e registos locais
712Musa ibn Nusayr chega com outra forçaNovas campanhas alargaram o controlo e ligaram a conquista ao Norte de África omíada.Tradição narrativa árabe e síntese moderna
713Acordo associado a TudmirA submissão negociada mostra que houve pactos além de combates.Tradição documental com problemas de transmissão textual
Cerca de 718–722Resistência no Norte e tradição de CovadongaDesenvolveu-se um poder setentrional fora do controlo andaluz duradouro; a cronologia inicial é debatida.Narrativas cristãs e árabes posteriores
Década de 740Revolta berbere e conflitos de facçõesA rebelião norte-africana e as rivalidades militares desestabilizaram o governo provincial.Crónicas e reconstrução política moderna

Emirado omíada e califado de Córdova, 756–1031

As datas dos governos e da guerra civil são marcos políticos, não uma história social completa.

DataAcontecimentoImportância históricaProvas e limites
756Abd al-Rahman I funda um emirado omíada independenteCórdova torna-se o centro de uma dinastia autónoma na prática face ao poder abássida.Crónicas, moedas, monumentos e síntese moderna
Cerca de 784–786Primeira fase da grande mesquita de CórdovaA mesquita congregacional tornou-se central e recebeu ampliações posteriores.Edifício conservado, arqueologia e textos
912Abd al-Rahman III começa a governar como emirReconstruiu a autoridade central antes de adotar o título de califa.Crónicas, moedas e síntese moderna
929Proclamação do califado de CórdovaAbd al-Rahman III afirmou uma pretensão califal omíada independente.Crónicas da corte, títulos, moedas e vestígios materiais
A partir de 936Construção de Medina AzaharaA cidade palaciana perto de Córdova exprimia e administrava o poder do califa.Arqueologia, arquitetura e textos
961–976Califado de al-Hakam IILivros, diplomacia e ampliações da mesquita marcaram o reinado.Crónicas, manuscritos, objetos e monumentos
976–1002Hisham II e o predomínio de al-MansurO califa manteve legitimidade formal enquanto o círculo do camareiro exercia o poder efetivo.Crónicas da corte, moedas e análise política moderna
1009Início da fitnaRevoltas e pretendentes rivais abriram uma longa guerra por Córdova e pelo califado.Várias crónicas, arqueologia e numismática
1009–1010Medina Azahara é devastadaA cidade califal foi destruída e abandonada durante a guerra civil.Ficha da UNESCO, arqueologia e textos

Taifas, almorávidas e almóadas, 1031–cerca de 1230

Estados regionais e dinastias magrebinas alteraram centros de poder e fronteiras.

DataAcontecimentoImportância históricaProvas e limites
1031Fim formal do califado e consolidação das taifasAs autoridades de Córdova extinguiram o cargo enquanto os governantes regionais reforçavam os seus Estados.Crónicas, moedas e reconstrução política
1085Afonso VI conquista ToledoA perda da cidade alterou o equilíbrio entre as taifas e os reinos cristãos em expansão.Crónicas cristãs e árabes; documentos
A partir de 1086Intervenção e domínio almorávidaA dinastia magrebina interveio contra Afonso VI e depois incorporou várias taifas.Crónicas, moedas, arquitetura e síntese moderna
Décadas de 1140–1170Conquista almóada de grande parte de al-AndalusOutro império magrebino substituiu a autoridade almorávida em muitas regiões.Crónicas, inscrições, moedas e monumentos
1212Batalha de Las Navas de TolosaA derrota almóada acelerou o recuo político, mas Granada manteve governo muçulmano durante séculos.Crónicas árabes e latinas; história militar moderna

Granada nacérida e a mudança de 1492

A rendição terminou a soberania nacérida, não a presença muçulmana num só dia.

DataAcontecimentoImportância históricaProvas e limites
1232–1238Formação do Estado nacérida centrado em GranadaMuhammad I fundou a dinastia do último Estado muçulmano da península.Crónicas, tratados, moedas e vestígios materiais
1236Fernando III conquista CórdovaA antiga capital omíada passou para Castela; a grande mesquita tornou-se catedral.Documentos régios e eclesiásticos, arquitetura e crónicas
1248Fernando III conquista SevilhaA expansão castelhana deixou Granada como principal Estado muçulmano ibérico.Crónicas, cartas e vestígios materiais
1340Batalha do SaladoA derrota de forças nacéridas e merínidas reduziu a hipótese de grande apoio militar norte-africano.Crónicas árabes e cristãs; síntese moderna
1482–1491Guerra de GranadaCampanhas, cercos e divisões dinásticas nacéridas isolaram progressivamente a capital.Contas régias, crónicas, cartas e indícios materiais
25 de novembro de 1491Acordo sobre as capitulações de GranadaOs artigos negociados fixaram a entrega e as primeiras garantias para residentes muçulmanos.Catálogo arquivístico espanhol e textos jurídicos transmitidos
2 de janeiro de 1492Rendição de Granada nacéridaMuhammad XII entregou a soberania a Fernando e Isabel; terminou o Estado nacérida.Registos régios e arquivísticos; crónicas

Perguntas frequentes

O que significa al-Andalus?

É o nome histórico de territórios e sociedades da Península Ibérica sob governantes muçulmanos, com fronteiras que mudaram ao longo do tempo.

Al-Andalus foi um só país durante quase oito séculos?

Não. Sucederam-se uma província, um emirado e califado omíadas, taifas, domínios almorávida e almóada e o reino nacérida de Granada.

Toda a Ibéria passou a governo muçulmano em 711?

Não. A travessia iniciou campanhas e acordos que se prolongaram por anos, enquanto regiões do Norte seguiram outras trajetórias.

Córdova foi sempre a capital de al-Andalus?

Não. Foi centro principal do emirado e califado omíadas; após 1031 o poder dividiu-se entre capitais de diferentes taifas.

A convivência implicava igualdade religiosa completa?

Não. Trocas e vida urbana partilhada coexistiram com hierarquias jurídicas, impostos, restrições e conflitos que variavam.

Todos os muçulmanos saíram de Espanha em 1492?

Não. Terminou a soberania nacérida, mas muitos residentes muçulmanos permaneceram inicialmente. Conversões forçadas e expulsões pertencem a uma cronologia posterior.

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